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CLÁSSICO DA LITERATURA POPULAR

(Resumido e adaptado à realidade portuguesita… pequeno no tamanho e fácil de ler)

A Preta da Guiné e os 7 Gigantones

Era uma vez naquele reino à beira mar plantado…
A Rainha Salazeta meditava defronte ao espelho quem seria de todas entre o seu reino a mais zépovinha. Virou-se para o mesmo e disse em voz alta e trémula: -------- Espelho meu, espelho meu, existe neste reino alguém mais zépovinha do que eu?
Quem lhe respondeu foi um ministro:
- Existe sim minha Rainha! Os nossos serviçais secretos descobriram-na. Vem das terras de AlémMar e chama-se Preta da Guiné. Já tínhamos ordenado a um gênêrrê para a despachar e ele regressou com um bocado das suas cuecas afirmando ter cumprido a sua missão. No entanto, dias depois descaiu-se num lapsus vinae e afirmou que afinal só a tinha violado e que a tinha deixado partir com vida com um grande sorriso nos lábios.
- Santa Inquisição! E onde pára agora essa megera?
- Pelo que sabemos foi vista ultimamente na companhia de 7 gigantones no Carnaval de Torres Vedras. Parece que se juntaram a ela com pena da pobre desgraçada, quando perceberam que dançava em cima de um carro alegórico sem as ditas cuecas…
- Que vergonha meu Deus, que vergonha!!! Temos urgentemente de tratar de eliminar essa escurinha. Eu própria me encarregarei do assunto, assim que me conseguir levantar deste maldito cadeirão.
- Posso sugerir a sua excelência o uso da arrastadeira?

Ainda cheia de raiva pelos resultados menos conseguidos no uso da arrastadeira para se livrar do cadeirão, a Rainha Salazeta concebeu um plano terrível. Com a ajuda dos poderes alucinatórios da aguardente de Medronho (administrada a temperaturas elevadas em metros de gaze com as quais cobriu todo o seu corpo), a maléfica soberana transformou-se aos olhos do comum mortal numa vendedora guineense de pau de Cabinda. Com este disfarce esperava ela vir a ser bem sucedida no seu terrível plano: provocar um tal ataque de comichões nas partes baixas da sua rival, que ultimamente esta ficaria irremediavelmente insana e acabaria assim internada no insanatório Julinho de Matos, donde nunca mais saíria. Sim, a sua vingança seria terrível!!!
Após ter sido expulsa do palácio aos pontapés (vingaria-se do seu staff mais tarde), viajou à boleia até Loulé, onde tinha esperanças de encontrar Preta da Guiné mais os seus inseparáveis Gigantones. Esqueceu-se porém que Loulé ficava nas terras do Sul onde habitavam muitos habitantes que eram ávidos consumidores de aguardente de medronho, o que os tornava imunes aos poderes alucinogénicos da sua poção. Foi por isso bastante penoso apanhar boleia pois, à sua vista, todos fugiam aterrorizados com o que descreviam como sendo a "múmia do medronho". Mas lá consegui chegar finalmente, mesmo a tempo do começo do Carnaval daquela terra. Foi bastante fácil dar com a Preta da Guiné que dançava freneticamente (ainda sem as cuecas) no cimo dum palanque em movimento, acompanhada pelos seus fiéis Gingatones mais uma multidão de babosos.
Salazeta lá conseguiu a muito custo furar a multidão e falar com a Preta:
- Minha querida filha, ajuda esta tua pobre conterrânea e compra umas doses de pau de Cabinda para animares o espírito.
- Pau de Cabinda? O que é isso? - perguntou inocentemente Preta da Guiné
- É para te dar genica, minha querida
- Eu de genica não preciso! Mas compro-tos na mesma, gentil velhinha.
- Tens que os tomar logo filha, antes que se estraguem…
- Sim sim… está descansada que vou tomá-los ainda hoje.
E assim foi cumprido o que se tinha que cumprir. Salazeta partiu toda bem disposta de volta para o seu palácio, já livre do seu disfarce. Mal chegou lá, juntou todo o seu staff e torturou-os longas horas com um dos seus intermináveis discursos até não restar nenhum de pé. No fim foi-se deitar, contente consigo mesma.

Mal sabia a Rainha Salazeta que os planos da Preta da Guiné eram outros. Na verdade ela nunca tinha pensado em tomar o pau de Cabinda mas antes dá-lo aos seus amigos Gigantones: estes andavam de dia para dia mais cansados do que nunca, à custa de muitos desfiles de Carnaval que tinham feito nos últimos dias.
Assim naquela noite fez um cházinho e todos beberam agradecidos. Passado algum tempo ficaram todos com comichões nas partes baixas o que os enloqueceu mas de outra forma. Com olhos raiados de desejo e luxúria, atiraram-se todos aos mesmo tempo para cima da desgraçada da Preta da Guiné. Esta não aguentou o peso todo em cima dela e acabou por desfalecer. Foi de imediato levada para o Hospital de Santa Arrepia, onde após 17 horas na sala de espera, acabou por entrar num profundo coma. No dia seguinte a Rainha foi informada pelo espelho que ela era a mais zépovinha do seu reino. Ficou tão contente que decidiu decretar feriado nacional em homenagem a si mesma e também para agradar os seus súbditos.
Entretanto Preta da Guiné jazia no seu coma num qualquer local recôndito do hospital. Os seus amigos Gigantones desesperavam, pois ainda não tinham encontrado o quarto onde ela estava e também não conseguiam arranjar maneira de sair daquele lugar infernal.
Estava tudo perdido…… mas estaria mesmo?
As notícias desta grande tragédia chegaram ao ouvido do Príncipe Vermelho que vivia no seu castelo em Peniche, onde se entretinha todos os dias com os seus passatempos favoritos: montanhismo e natação. Foi um dos guardas do castelo que lho contou:
- Príncipe Vermelho, sabias que a Preta da Guiné foi atraiçoada pela Rainha Salazeta e agora jaz perdida nos confins do Santa Arrepia?
- É verdade o que me dizes? Passo tanto tempo aqui no castelo entretido com os meus hobbies que me esqueço que existe um mundo lá fora (suspiro). Mas isso agora acabou! Vou já partir daqui a nado e vou tratar de salvar a minha amada. Nunca mais me hei-de esquecer daquela visão em cima do palanque no Carnaval de Loures… (novo suspiro)
E assim foi. Naquela noite o Príncipe desceu as encostas do castelo alegremente e alegremente nadou alguns metros, até se cansar e pedir uma boleia para a capital do reino.

Entretanto os nossos amigos Gigantones, após dias de intermináveis buscas e subornos a enfermeiras e médicos, conseguiram por fim encontrar a pobre comatosa. Todos eles olhavam para ela entristecidos e desconsolados. "Pobre prêguinas!" - pensaram todos (era assim que carinhosamente a tratavam). No meio de todo este desconsolo, tocou o telemóvel de um deles. Era o Príncipe Vermelho que se encontrava perdido no Marquês de Pombal, há cerca de dois dias.
- Estou
- Daqui fala o Príncipe Vermelho, estou em apuros amigo Gigantone. Já ao tempo que ando aqui perdido às voltas. Por mais que ande vou sempre parar ao mesmo sítio.
- Ó homem, você está numa rotunda. Deixe-se estar quieto que um dos meus companheiros já vai aí buscá-lo.
Dali a umas horas já se encontrava o Príncipe em frente à sua amada também ele desconsolado e chorando copiosamente. Que poderia ele fazer para despertar a Preta?

Estava então o Príncipe Vermelho a matutar no que havia de fazer para despertar a Preta, quando todos sentiram um tremor de terra que aumentava a cada segundo que passava. O hospital tremia cada vez mais.... tanto, que a certa altura as janelas começaram a rachar e bocados de estuque do tecto e das paredes começaram a cair. Um destes bocados foi acertar na nuca do Príncipe que estava naquele momento debruçado sobre a face de Preta a babar-se de paixão perante a sua beleza. Este incidente fez com que lhe arreasse uma tão violenta cabeçada na testa, que miraculosamente a despertou do seu coma. Abriu os olhos e disse numa voz tremente:
- Porra!!! Que puta de cabeçada me deste minha grande besta!!!

O Príncipe ao vê-la desperta, não aguentou de emoção e preparava-se para abraçá-la, quando toda a parede do quarto caiu derrubada pelo canhão de um tanque das Forças da Couve Lombarda. E quem eram estes perguntam vocês?

Este "agrupamento" constituia um dos mais fortes aliados da rainha Salazeta, de modo que tanto o Príncipe como os Gigantones ficaram espantados ao serem saudados com um "salve compadres e comadres", expressão revolucionária para a época. Vieram depois a saber que as F.C.V. se tinham revoltado contra a rainha Salazeta, por ser ela sempre a ganhar os concursos de beleza em que todos participavam. " Não é justo!" - diziam - "... nós que temos tanto trabalho a passar a ferro as fardas, a retocar a maquilhagem e a pintar os olhos, e aquela cabra é que ganha tudo. E ainda por cima está cada vez mais desleixada!!! "

Tinham decidido derrubar a tirania de Salazeta e a vitória estava próxima. Faltava apenas tomar o castelo onde esta se refugiava. Pediram a ajuda ao Príncipe e aos Gigantones que prontamente se voluntariaram para a arriscada operação. Preta também quis ir, pois adorava aquele tipo de carnavais. " Em vez do palanque, danço em cima do tanque", disse sorridente e com um galo na testa. Também sorridente e de galo ia o Príncipe todo garboso e muito baboso, enquanto olhava de baixo para cima para a sua amada (que mais uma vez se tinha esquecido de se vestir e saira à rua apenas com uma bata de hospital semi-transparente).

Aos poucos e poucos foram-se juntando às Forças e aos nosso amigos, o povo em geral, e em grande festa seguiram até às imediações do castelo de Salazeta. Ao chegarem depararam com uma visão terrível: a Rainha em cima de um alto palanque, não daqueles dos carros de Carnaval, armada um grande megafone e com umas folhas de rascunho na mão. Velha e decrépita é verdade, mas com um ar ameaçador, os olhos raiados de sangue, um bafo a aguardente de medronho capaz de embebedar o mais resistente dos taxistas, as sobrancelhas viradas a sudoeste...

- AGORA VAI SER A HORA DA MINHA VINGANÇA! - berrou a velha - VÃO TODOS SENTIR O PODER DA MINHA ARMA SECRETA!!!

E o que era a arma secreta..... perguntam os leitores?

Era nada mais nada menos um discurso político-cultural do seu ministro da Educação, o excelentíssimo dinossauro José Hermano Olé! . Nas folhas que Salazeta segurava na mão estava nada mais nada menos, do que uma futura série a ser transmitida na caixa mágica, composta por 3256 partes, partes essas que iriam ser declamadas à plebe, pela voz anestesio-vaporizante da maléfica bruxa. Inspirada pela resistência falatória de outros pares seus, como o já falecido Rei Duche e o generalissímo Fidel Canito começou com um " Estamos aqui.....".

Foi já tarde a tentativa de arrancar os dentes ( e a cabeça) à rainha com um obus de canhão, pois já esta começava o discurso e todos perdiam as forças ante tão poderoso feitiço. Aos poucos e poucos, todos se deixavam ficar a olhar embasbacados e a ouvir aquela ladaínha constante e enebriante...

Até mesmo a Preta (uma das últimas e ser enfeitiçada, pois não era muito dada a letras) acabou por desfalecer e tombou do cimo do tanque, aplicando uma valente monada no nosso herói, o Príncipe Vermelho. Seria este choque o suficiente para os fazer despertar da zombinice?

PS - Afinal a história ainda não acaba aqui. Para vos deixar água na boca ou simplesmente para vos irritar, vou guardar o resto para uma próxima vez. Caso queiram reclamar enviem um mail para o webmonstro que ele promete não resolver o problema.
 
 
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