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“Viver com os animais” é o nome da nova obra de Carlos Crispim, o maior poeta das Berlengas, que relata a convivência do próprio com animais, nos campos agrícolas do Oeste, durante as décadas de 70, 80 e 90 do século passado.
Com esta obra, o vencedor do Prémio Literário Goma em 2002 e 2003, na sua linguagem simples e ordeira, dá-nos conta do que é a vida dum pastor nos prados e serras verdejantes, nas mais variadas dimensões.
Companheiro inseparável das cabras, ovelhas, vacas, cães, porcos, e até mesmo javalis, que o acompanharam na sua experiência no ramo da pastorícia, Carlos Crispim, relata-nos em "Viver com os animais", momentos de intenso calor animal, em que a resolução de conflitos entre os animais, o aconselhamento dos mesmos em situações mais delicadas, fazem surgir a faceta do Carlos Crispim psicólogo.
Entre vários pontos de interesse, o livro contém algumas descrições bastante vivas e realistas, onde surgem marcadamente alguns dos valores mais profundos do escritor, como é exemplo o seguinte excerto: “Ontem levei as cabras a pastar. Enquanto brincava com o cajado, senti uma enorme vontade de fazer amor com a Ermelinda, a cabra do rebanho que dá mais leite. Foi o que fiz. E não usei preservativo, tal como aconselha a igreja.”
Datado de 1985, este excerto é apenas um dos momentos de prazer intenso, na leitura da nova obra de Carlos Crispim, que pensa escrever em breve um relato da sua experiência como padeiro. |